{"id":40912,"date":"2021-06-16T14:17:42","date_gmt":"2021-06-16T17:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/alacip.org\/?p=40912"},"modified":"2021-06-17T09:24:55","modified_gmt":"2021-06-17T12:24:55","slug":"nota-de-pesar-por-el-fallecimiento-de-glaucio-soares-universidade-estadual-do-norte-fluminense-darcy-ribeiro-uenf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alacip.org\/?p=40912","title":{"rendered":"Nota de pesar por el fallecimiento de Gl\u00e1ucio Soares &#8211; Universidade Estadual do Norte Fluminense, Darcy Ribeiro (UENF)"},"content":{"rendered":"\n<p>O Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica da UENF se solidariza com a fam\u00edlia do querido professor Gl\u00e1ucio Ary Dillon Soares e com toda a comunidade da\u00a0ALACIP. Sua paix\u00e3o pelo rigor acad\u00eamico foi, \u00e9 e ser\u00e1 uma inspira\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s!<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/uenf.br\/posgraduacao\/sociologia-politica\/nota-de-pesar-glaucio-ary-dillon-soares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica (UENF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Reproduzimos uma entrevista que lhe fizera Glenda Mezarobba em Dezembro de 2019 para a revista Pesquisa FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/alacip.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/022-027_entrevista_glaucio-soares_286-0-800-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40913\" width=\"293\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/alacip.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/022-027_entrevista_glaucio-soares_286-0-800-682x1024.jpg 682w, https:\/\/alacip.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/022-027_entrevista_glaucio-soares_286-0-800-200x300.jpg 200w, https:\/\/alacip.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/022-027_entrevista_glaucio-soares_286-0-800-768x1154.jpg 768w, https:\/\/alacip.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/022-027_entrevista_glaucio-soares_286-0-800.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/><figcaption>Foto: <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/022-027_entrevista_glaucio-soares_286-0-800.jpg\">L\u00e9o Ramos Chaves<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cCostumo dizer que tropecei no direito, n\u00e3o escolhi\u201d, conta o carioca Gl\u00e1ucio Soares, aluno da primeira turma da Faculdade de Direito da Universidade C\u00e2ndido Mendes, no Rio de Janeiro. Filho \u00fanico de uma professora prim\u00e1ria e de um contador, Soares ingressou na institui\u00e7\u00e3o em 1953, em uma \u00e9poca em que ci\u00eancia pol\u00edtica e sociologia n\u00e3o eram disciplinas aut\u00f4nomas, \u201cmas cap\u00edtulos do direito\u201d. N\u00e3o demorou muito para se encantar pelas ci\u00eancias sociais. \u201cA \u00e1rea espec\u00edfica do conhecimento pela qual me apaixonei n\u00e3o tinha representantes no Brasil e era estimulada por aquilo que eu lia: livros que tratavam de pesquisa e de resultados de pesquisa\u201d, recorda. \u201cO curso de sociologia e pol\u00edtica da PUC [Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica] teve muito mais impacto sobre mim do que o de direito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Considerado um dos fundadores da sociologia moderna no Brasil, Soares inovou ao utilizar m\u00e9todos qualitativos e quantitativos em pesquisas sociais. Em 1967, com \u201cSocioeconomic variables and voting for the radical left: Chile, 1952\u201d, artigo escrito em parceria com Robert Hamblin, professor de psicologia social na Washington University em St. Louis, nos Estados Unidos, tornou-se o primeiro latino-americano a publicar na <em>American Political Science Review<\/em>. Seu livro <em>Sociedade e pol\u00edtica no Brasil<\/em>, lan\u00e7ado em 1973, rapidamente se tornaria refer\u00eancia entre os trabalhos de sociologia eleitoral no pa\u00eds. \u201cA sugest\u00e3o de public\u00e1-lo pela Difus\u00e3o Europeia [Difel] foi de Fernando Henrique Cardoso\u201d, diz, lembrando que os dois estiveram juntos no Chile. \u201cNaquele tempo ele, e quase todos no mundo acad\u00eamico, estava \u00e0 minha esquerda. Eu fui para a esquerda sem sair do lugar porque o Brasil foi para a direita\u201d, constata.<\/p>\n\n\n\n<p>Professor do Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj), Soares conta que gosta de escrever: \u201cAntes tinha preocupa\u00e7\u00e3o com eleg\u00e2ncia, agora quero chegar na alma da pessoa que l\u00ea. Eu acredito em alma\u201d. Pai de cinco filhos e av\u00f4 de seis netos, nesta entrevista, concedida no apartamento onde vive com a mulher, a cientista pol\u00edtica Dayse Miranda, em frente \u00e0 sede do clube Fluminense, na zona sul do Rio, fala de sua trajet\u00f3ria profissional e do novo objeto de pesquisa.<strong>Idade<\/strong> 85 anos<br><strong>Especialidades<\/strong><br>Sociologia pol\u00edtica e criminologia<br><strong>Institui\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj)<br><strong>Forma\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Gradua\u00e7\u00e3o em direito pela Universidade C\u00e2ndido Mendes (1957), estudos em sociologia e pol\u00edtica pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (1958), mestrado em direito pela Tulane University (1959) e doutorado em sociologia (1965) pela Washington University em St. Louis<br><strong>Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br>11 livros escritos ou organizados, 43 cap\u00edtulos de livros<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea cursou direito, sociologia e ci\u00eancia pol\u00edtica. Quando precisa indicar sua profiss\u00e3o, como se define?<\/strong><br>Brinco um pouco com isso. \u00c0s vezes, coloco soci\u00f3logo. Nos \u00faltimos anos tenho trabalhado muito com criminologia \u2013 mas n\u00e3o o direito criminal nem o direito de processo penal. Jurista, n\u00e3o me defino de jeito algum. Desencantei-me muito r\u00e1pido com o direito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><br>Porque o direito n\u00e3o comporta afirma\u00e7\u00f5es essenciais como: \u201cEu desconhe\u00e7o, portanto quero saber\u201d. \u00c9: \u201ceu j\u00e1 conhe\u00e7o\u201d. Vai al\u00e9m das diferen\u00e7as entre ci\u00eancias do ser e do dever ser. A atitude de que \u201ceu admito desconhecimento neste momento, por isso preciso pesquisar\u201d \u00e9 o que, para mim, representa a ci\u00eancia. Tamb\u00e9m \u00e9 uma barreira que encontro. N\u00e3o s\u00f3 disciplinar, no caso do direito, mas te\u00f3rica. Algumas teorias foram importadas como respostas e n\u00e3o como colocadoras de problemas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea n\u00e3o via desafio cient\u00edfico no direito?<\/strong><br>N\u00e3o creio que havia desafio cient\u00edfico. Aqui no Brasil, via a aplica\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos. Fiz mestrado em direito comparado e hoje esse conhecimento me vale como par\u00e2metro. Conhecendo, desde dentro, a maneira de pensar de um estudioso do direito, eu a contrasto com a maneira de pensar de um efetivo pesquisador. Ou seja, houve desencanto, mas tamb\u00e9m utilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Transparece de sua produ\u00e7\u00e3o certa preocupa\u00e7\u00e3o com os m\u00e9todos de pesquisa em ci\u00eancias sociais. De onde vem isso?<\/strong><br>Recebi tratamento de choque com as primeiras leituras, ainda antes de ir para os Estados Unidos. De um lado estavam afirma\u00e7\u00f5es gratuitas, em nome da sociologia e da ci\u00eancia pol\u00edtica, e de outro, perguntas a serem respondidas. Me questionei: n\u00f3s sabemos tudo isso? Claro que n\u00e3o. Lembro que brigava com marxistas ortodoxos que, para buscar solu\u00e7\u00e3o para problemas brasileiros, liam, por exemplo, <em>O manifesto comunista<\/em>, de 1848. Os mais inteligentes recorriam aos <em>Grundrisse<\/em>, que \u00e9 a pesquisa que [Karl] Marx [1818-1883] publicou no final da d\u00e9cada de 1850. O pessoal n\u00e3o conhece o Marx pesquisador. Conhece o Marx te\u00f3rico, o revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E a voc\u00ea s\u00f3 interessa o Marx pesquisador?<\/strong><br>\u00c9 o que mais interessa, certamente. Marx ficou 13 anos em uma biblioteca buscando, por exemplo, s\u00e9ries hist\u00f3ricas de sal\u00e1rios. Descobri isso em Paris, quase por acaso, ao encontrar a obra em uma livraria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voltando \u00e0 sua preocupa\u00e7\u00e3o com os m\u00e9todos de pesquisa, em artigo publicado h\u00e1 15 anos, voc\u00ea registrou o que considerava a \u201cprecariedade do ensino de t\u00e9cnicas de pesquisa e m\u00e9todos quantitativos\u201d. O que mudou de l\u00e1 para c\u00e1?<\/strong><br>Talvez tenham sido ampliadas diferen\u00e7as entre disciplinas durante esse tempo. Houve um momento na ci\u00eancia pol\u00edtica, mas n\u00e3o houve na sociologia, em que um grupo de pessoas que tinha um bom mestrado no Brasil voltou dos Estados Unidos com um bom doutorado. Em Minas Gerais, J\u00falio Barbosa criou um programa de bolsas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, quando isso praticamente n\u00e3o existia, e propiciou o estabelecimento de uma elite intelectual, uma gera\u00e7\u00e3o que tem 70 anos hoje, no m\u00ednimo. Cada um desses que voltava, bem treinado em m\u00e9todos, provocava em mim nova esperan\u00e7a. Porque h\u00e1 muito o que descobrir. N\u00e3o temos de ficar filosofando o dia inteiro, lendo [Johann Wolfgang von] Goethe [1749-1832] e [Friederich] Nietzsche [1844-1900]. No Brasil, o uso dos m\u00e9todos em ci\u00eancia pol\u00edtica melhorou um pouco. Na sociologia n\u00e3o tivemos o desenvolvimento que os m\u00e9todos qualitativos tiveram na antropologia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, portanto, se olharmos neste momento para as ci\u00eancias sociais, a sociologia aparece em desvantagem.<\/strong><br>Em termos de rigor metodol\u00f3gico, sim. O uso de cl\u00e1ssicos europeus, que foram ensinados como autoridades, foi muito prejudicial. Na sociologia ocorreu o que, em certa medida, acontece no direito, em que o que mais pesa \u00e9 a autoridade. A ideia de autoridade \u00e9 prejudicial para a ci\u00eancia. Na ci\u00eancia, n\u00e3o interessa o quem, mas o que e o como. O nome de quem faz \u00e9 irrelevante e, quando h\u00e1 mitifica\u00e7\u00e3o, o aluno tende a tomar aquele conhecimento como verdade. Ponto. Vejamos o caso de [\u00c9mile] Durkheim [1858-1917], certamente um grande pesquisador e pensador franc\u00eas. Na academia brasileira, quando se fala em suic\u00eddio, a primeira obra que vem \u00e0 mente \u00e9 <em>O suic\u00eddio<\/em>, publicada por ele em 1897. Mas na pr\u00f3pria Fran\u00e7a, 50 anos antes de Durkheim, [Andr\u00e9-Michel] Guerry [1802-1866] produziu dados interessantes. \u00c9 s\u00f3 colocar no Google Acad\u00eamico o termo <em>suicide<\/em> para encontrar centenas de milhares de trabalhos de pesquisa sobre o assunto. H\u00e1 cinco ou seis anos, fiz uma an\u00e1lise, que n\u00e3o publiquei, sobre o conte\u00fado das disciplinas ensinadas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e que revelou coisas interessantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por exemplo?<\/strong><br>Fiz um levantamento nacional, sobre ementas e bibliografias dos cursos de sociologia em que h\u00e1 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e verifiquei quem eram os autores recomendados. Os principais eram europeus. Havia tamb\u00e9m alguns norte-americanos, poucos brasileiros e praticamente nenhum outro latino-americano. Africanos e asi\u00e1ticos, n\u00e3o havia. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja ci\u00eancia social na \u00c1sia e na \u00c1frica. Quer dizer que simplesmente ignoramos essa produ\u00e7\u00e3o. O t\u00edtulo do estudo seria sociologia arcaica. N\u00e3o publiquei porque teria de dedicar mais tempo do que eu dispunha para finalizar o trabalho, atualizando os dados, e haveria muita pancadaria. N\u00e3o estava disposto a entrar nessa briga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas foi a paix\u00e3o pela sociologia que o fez sair do Brasil no final da d\u00e9cada de 1950.<\/strong><br>Sim, resolvi sair para me desenvolver. Foi uma decis\u00e3o arriscada. Antes de partir, a \u00fanica conversa que tive sobre o assunto foi com o padre [Fernando Bastos de] \u00c1vila [1918-2010], fundador do Instituto de Sociologia e Ci\u00eancia Pol\u00edtica da PUC. Diante da minha hesita\u00e7\u00e3o, ele me disse: \u201cL\u00e1 fora os recursos s\u00e3o t\u00e3o maiores que, n\u00e3o importa o que, voc\u00ea vai aprender\u201d. Meu primeiro destino foi a Tulane University, nos Estados Unidos. Fiz mestrado em um ano. Depois fui para o National Opinion Research Center [Norc], para aprender a fazer pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi esse aprendizado?<\/strong><br>A primeira li\u00e7\u00e3o foi que nas ci\u00eancias sociais \u00e9 poss\u00edvel produzir conhecimento em cima de dados coletados por entrevistadores, organizados por codificadores e analisados por estat\u00edsticos, sem nunca ter visto o entrevistado. A segunda surgiu no campo e limita a primeira. Quem n\u00e3o entrevista perde muito. Fui jogado no campo para sobreviver, ganhava por entrevista, no gelo de Chicago. Um dos autores da pesquisa era o soci\u00f3logo Elihu Katz e no question\u00e1rio que ele havia elaborado havia muitas perguntas sobre aborto. Fui incumbido de entrevistar moradores de um bairro italiano. Uma mulher n\u00e3o quis responder, reclamou para um monte de homens e os caras vieram para cima de mim. Tive de fugir. E entendi que, naquele momento, havia feito perguntas que, naquela subcultura, n\u00e3o eram poss\u00edveis de serem feitas. A\u00ed me dei conta de que o tema aborto poderia ser estudado, mas a metodologia teria de ser diferente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Muitos acad\u00eamicos estavam \u00e0 minha esquerda. Fui \u00e0 esquerda sem sair do lugar porque o Brasil foi \u00e0 direita<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m foi um dos pioneiros em pesquisa eleitoral no Brasil. Como isso se deu?<\/strong><br>Foi no pleito de 1960. A elei\u00e7\u00e3o para governador no ent\u00e3o estado da Guanabara estava quent\u00edssima. \u00c0 direita, Carlos Lacerda [1914-1977], da UDN [Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional]. \u00c0 esquerda, S\u00e9rgio Magalh\u00e3es [1916-1991], do PTB [Partido Trabalhista Brasileiro]. E um terceiro candidato, meio carism\u00e1tico, meio violento, com mais presen\u00e7a na Baixada Fluminense, Ten\u00f3rio Cavalcanti [1906-1987], pelo PST [Partido Social Trabalhista]. Havia v\u00e1rias pesquisas, que na \u00e9poca eram chamadas de pr\u00e9vias. Uma das mais ambiciosas era realizada pelo jornal <em>Correio da Manh\u00e3<\/em>. Pensei: essa \u00e9 a minha chance. Botei meu \u00fanico terno e fui me apresentar ao <em>Correio<\/em>. O trabalho foi contratado. Entrei no jornal pela manh\u00e3 e sa\u00ed \u00e0 noite com o question\u00e1rio sendo impresso. Eram 40 e poucas perguntas. Treinei os entrevistadores e tive muito problema com a veracidade das informa\u00e7\u00f5es e desonestidade. Havia dois tipos de fraude. O mais comum: o sujeito ia ao lugar onde deveria ser aplicada a pesquisa, fazia duas ou tr\u00eas perguntas iniciais e ia embora, para preencher os question\u00e1rios em casa. Outros nem iam, preenchiam tudo em casa. T\u00ednhamos um sistema de checagem, que me permitiu detectar as fraudes e refazer as entrevistas. Com os dados oficiais do TRE [Tribunal Regional Eleitoral], fizemos uma pondera\u00e7\u00e3o dos resultados considerando as zonas eleitorais. Havia algum desvio, mas acertei o resultado da elei\u00e7\u00e3o na mosca: Lacerda ganhou, mas a margem foi pequena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea saiu consagrado?<\/strong><br>N\u00e3o, eu sa\u00ed corrido. Ten\u00f3rio Cavalcanti, conhecido como o homem da capa preta, era um pol\u00edtico agressivo, andava sempre com uma metralhadora, apelidada de Lurdinha. Ele mandou uma carta para o jornal, dizendo algo como: \u201cOs intelectuais criam suas mentiras e acabam acreditando nelas. O senhor est\u00e1 errado, est\u00e1 me prejudicando\u201d. N\u00e3o sei se o meu medo dirigiu a minha leitura ou se a minha leitura aumentou o meu medo. O fato \u00e9 que decidi sair do Rio. Fui para Bras\u00edlia, para a inaugura\u00e7\u00e3o da capital. O pessoal do <em>Correio da Manh\u00e3<\/em> ficou tiririca comigo porque tinha prometido mais dois artigos que acabei n\u00e3o entregando. Mas a qualidade da pesquisa foi reconhecida inclusive pelo jornal concorrente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea teve oportunidade de se estabelecer nessa \u00e1rea de pesquisa eleitoral e de mercado, mas declinou. Por qu\u00ea?<\/strong><br>Naquela \u00e9poca, quando a Marplan me convidou para trabalhar, eu morava com meus pais, vivia com praticamente nada. Foi uma decis\u00e3o de vida. Se tivesse aceito, em alguns meses compraria um carro, alugaria um apartamento em \u00e1rea nobre, satisfazendo meu burguesismo comprimido e n\u00e3o voltaria ao mundo acad\u00eamico rapidamente. Optei por continuar duro. Nunca me arrependi.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que a ci\u00eancia lhe d\u00e1 que o mercado n\u00e3o lhe daria?<\/strong><br>Uma identifica\u00e7\u00e3o com o fruto do meu trabalho. D\u00e1 alegria e tristeza. \u00c9 muito mais emotiva, mas eu controlo os efeitos dessa emotividade com t\u00e9cnicas duras. Eu as uso at\u00e9 mesmo quando fa\u00e7o an\u00e1lise de conte\u00fado. Enquanto eu estava na Washington University, o Gilbert Shapiro, meu professor de sociologia, por exemplo, analisava os cadernos [Cahiers de Dol\u00e9ances] de 1789, em que a popula\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a registrava suas queixas, durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Era um <em>scholar<\/em>. Isso me encantou. Ningu\u00e9m fazia trabalho t\u00e3o cuidadoso e detalhado e eu pensei: quero fazer isso um dia!<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O ensino de cl\u00e1ssicos europeus como se fossem autoridades \u00e9 prejudicial. A ideia de autoridade prejudica a ci\u00eancia<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Quando voc\u00ea come\u00e7ou a fazer an\u00e1lise de conte\u00fado?<\/strong><br>H\u00e1 tempos. Por\u00e9m, mais recentemente, quando o Google facilitou o acesso aos seus 30 milh\u00f5es de livros, tornou-se poss\u00edvel um novo tipo de an\u00e1lise para quem, como eu, desejava testar a evolu\u00e7\u00e3o do marxismo, como teoria, e seus conceitos. Selecionei conte\u00fados fundamentais, que poderiam estar nos livros pesquisados, como, por exemplo, consci\u00eancia e conflito de classe, proletariado, burguesia. Usei cinco idiomas: ingl\u00eas, alem\u00e3o, franc\u00eas, espanhol e italiano. A ideia era verificar qual o efeito do fim da URSS [Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas] na dissemina\u00e7\u00e3o do conceito. Eu n\u00e3o tinha um conjunto integrado de hip\u00f3teses, tinha curiosidades. Por exemplo, queria saber se o decl\u00ednio havia come\u00e7ado antes da queda do Muro de Berlim, em 1989. Depois, resolvi descobrir, ainda seguindo essa an\u00e1lise emp\u00edrica do pensamento, o que aconteceu com o pensamento da Cepal [Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina e Caribe] e dos cepalinos. E a censura a [Leon] Trotsky [1879-1940] na Alemanha nazista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais foram suas descobertas?<\/strong><br>A Cepal n\u00e3o morreu, se reinventou. Em rela\u00e7\u00e3o ao marxismo, duas conclus\u00f5es se impuseram: nenhuma teoria sociol\u00f3gica teve tanto impacto, durante tanto tempo, como o marxismo. O marxismo seguiu o percurso esperado de uma grande teoria: dominou o pensamento sociol\u00f3gico durante d\u00e9cadas, foi afetado por acontecimentos na pol\u00edtica mundial e nas pol\u00edticas nacionais e teve uma queda acelerada, que continuava no in\u00edcio deste mil\u00eanio. A grande orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica geral foi substitu\u00edda por v\u00e1rias orienta\u00e7\u00f5es com escopo e ambi\u00e7\u00f5es mais reduzidas. Esse instrumento, de an\u00e1lise de frequ\u00eancia de men\u00e7\u00f5es, menos sofisticado, \u00e9 o que uso para refletir sobre os rumos da ci\u00eancia pol\u00edtica e da sociologia. A vers\u00e3o mais sofisticada, mais exata, \u00e9 um c\u00e1lculo do pr\u00f3prio Google, o Ngram, um algoritmo. Foi essa ferramenta que utilizei na reflex\u00e3o sobre a ascens\u00e3o e queda do marxismo. As refer\u00eancias a Trotsky em russo despencaram depois da ruptura. Come\u00e7aram a cair j\u00e1 nos anos anteriores \u00e0 ascens\u00e3o de [Adolf] Hitler [1889-1945] e s\u00f3 voltaram a subir depois do nazismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seu doutorado, sobre desenvolvimento econ\u00f4mico e radicalismo pol\u00edtico, tamb\u00e9m permanece in\u00e9dito.<\/strong><br>N\u00e3o publiquei minha tese, defendida em 1965. Naquele momento, ainda tinha um namoro com uma forma que seria mais inteligente e criativa do marxismo. Usei um conceito do soci\u00f3logo norte-americano Robert Merton [1910-2003] para explicar o voto radical de esquerda, mundo afora. Analisei muitos indicadores. Como resultado, sa\u00edram dois fatores que n\u00e3o s\u00e3o ortogonais, n\u00e3o s\u00e3o independentes um do outro, se correlacionam, mas n\u00e3o s\u00e3o id\u00eanticos. Chamei um de desenvolvimento econ\u00f4mico e o outro de desenvolvimento social. \u00c9 o hiato entre os dois que explica o voto radical.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando surgiu seu interesse pela tem\u00e1tica da viol\u00eancia?<\/strong><br>Eu vi o que [Augusto] Pinochet [1915-2006] fez no Chile. Quando estava na Flacso [Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais], fui \u00e0 Argentina e vi o que os militares argentinos fizeram. E aqui, tamb\u00e9m. Passei 21 anos coletando dados na surdina, no Brasil. Meus artigos iniciais sobre o tema mostraram, por exemplo, que as cassa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ocorridas durante a ditadura [1964-1985], foram orientadas primeiro pela rela\u00e7\u00e3o com a FPN [Frente Parlamentar Nacionalista], segundo, com o partido que o parlamentar estava filiado. Anos depois, predominava a maneira como ele votava em projetos de interesse do governo. \u00c9 o que definia se perdia o mandato ou n\u00e3o. A parte legislativa dessa pesquisa foi feita com S\u00e9rgio Abranches. Meu interesse pelo tema, que come\u00e7ou com a viol\u00eancia pol\u00edtica no Chile, Argentina e Brasil, depois foi direcionado \u00e0 viol\u00eancia na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia come\u00e7a com o controle das armas e passa pelo conhecimento cient\u00edfico<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Foram mais de duas d\u00e9cadas de pesquisa nessa \u00e1rea. Que trabalhos voc\u00ea destaca?<\/strong><br>O livro <em>N\u00e3o matar\u00e1s<\/em> [FGV, 2008]. Trabalhei mais de 10 anos nele. Gosto tamb\u00e9m de uma pesquisa sobre o impacto do Estatuto do Desarmamento, que fiz com Daniel Cerqueira, do Ipea [Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada]. Nossa estimativa \u00e9 de que nos 13 primeiros anos de sua vig\u00eancia, portanto at\u00e9 2016, o estatuto salvou 121 mil vidas. \u00c9 um trabalho de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que ressalta a necessidade de se discutirem os efeitos do estatuto n\u00e3o apenas a partir do momento em que ele entrou em vigor, mas analis\u00e1-lo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia anterior na taxa de homic\u00eddios, que era de crescimento muito mais r\u00e1pido. Os resultados n\u00e3o deixam d\u00favida: arma de fogo \u00e9 um desastre. Sua posse aumenta dramaticamente o n\u00famero de acidentes dom\u00e9sticos. O livro <em>As v\u00edtimas ocultas da viol\u00eancia no Rio de Janeiro<\/em> [Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2007], que publiquei com Dayse Miranda e Doriam Borges, \u00e9 relevante \u00e0 medida que mostra o sofrimento, amplamente ignorado, das v\u00e1rias pessoas que t\u00eam suas vidas massacradas, para cada morte violenta registrada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No caso do Brasil, \u00e9 poss\u00edvel resolver o problema da viol\u00eancia?<\/strong><br>N\u00e3o podemos resolver, no sentido de acabar com a viol\u00eancia. Mas podemos reduzi-la e isso come\u00e7a com o controle das armas e passa pelo conhecimento cient\u00edfico a servi\u00e7o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Sabemos, por exemplo, que quem termina o ensino m\u00e9dio tem um ter\u00e7o de risco de ser assassinado de quem n\u00e3o est\u00e1 na escola. Os meninos s\u00e3o 12 vezes mais suscet\u00edveis do que as meninas e ser negro \u00e9 um importante fator de risco. Se pensarmos na imagem de um homem apoiado nos ombros de outro homem, e assim sucessivamente, as vidas salvas chegariam a uma altura de 10 quil\u00f4metros, se a taxa de homic\u00eddio entre os negros fosse id\u00eantica \u00e0 dos brancos. Doriam Borges e eu usamos esses dados no artigo \u201cA cor da morte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Durante muitos anos voc\u00ea lecionou fora do pa\u00eds. Como foi essa experi\u00eancia?<\/strong><br>Dei aulas nos Estados Unidos, na Inglaterra, no Chile e no M\u00e9xico. Lecionei mais nos Estados Unidos do que aqui, no Brasil. Foram 40 anos dando aula fora e fazendo pesquisa. Os alunos norte-americanos s\u00e3o, no melhor sentido da palavra, quadrados. S\u00e3o obedientes, cumprem o combinado, leem o que voc\u00ea manda ler. J\u00e1 o pessoal da Flacso refletia a Am\u00e9rica Latina da \u00e9poca: os estudantes do Cone Sul chegavam muito mais bem preparados do que os demais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, foram 31 orienta\u00e7\u00f5es de mestrado e 11 de doutorado. Voc\u00ea gosta de orientar?<\/strong><br>Orientei muita gente, orientar \u00e9 um prazer, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma fonte de ansiedade. Com frequ\u00eancia aceitei orientar pessoas \u201ccomplicadas\u201d, baseado em um estudo que fizemos na Flacso, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. Esse estudo indicava que a universidade perdia mais alunos por problemas pessoais do que por dificuldades acad\u00eamicas. A partir da minha experi\u00eancia, arrisco dizer que ao longo desses anos houve deteriora\u00e7\u00e3o do ensino universit\u00e1rio no Brasil. Mas esse \u00e9 um pre\u00e7o necess\u00e1rio, que tem de ser pago. A democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade significa que a universidade n\u00e3o pertence mais s\u00f3 \u00e0 elite.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A sociologia brasileira cuidadosamente evitou tratar de emo\u00e7\u00f5es. O ser humano vivencia o amor. Por que n\u00e3o estuda o amor?<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Como lidou com o financiamento \u00e0 pesquisa, ao longo de sua carreira?<\/strong><br>Hoje fa\u00e7o s\u00f3 pesquisas artesanais. Acredito nesse proceder. Fui muito influenciado por C. Wright Mills. Poucas vezes pude contar com financiamento. N\u00e3o tenho faro para detectar fontes de financiamento. Procuro cobrir todas as etapas de investiga\u00e7\u00e3o pessoalmente. Quando fui para Tulane, em Nova Orleans, tive uma bolsa da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller, recebia US$ 132 mensais. Aqui, tinha uma bolsa da Faperj [Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro]. Ela \u00e9 dada a todos os velhinhos do Iesp, desde a incorpora\u00e7\u00e3o do Iuperj [Instituto Universit\u00e1rio de Pesquisas do Rio de Janeiro]. A bolsa \u00e9 de menos de R$ 5 mil e eu chamo de bolsa-sepultura porque para receb\u00ea-la \u00e9 preciso ter mais de 70 anos, prest\u00edgio na pra\u00e7a e idealmente morrer em tr\u00eas anos. Eu n\u00e3o morri, mas quase, e a bolsa acabou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea escreveu, certa vez, que considera \u201cum perigo\u201d separar as \u00e1reas pol\u00edtica e acad\u00eamica. Por qu\u00ea?<\/strong><br>Esse \u00e9 um conjunto com significativa interse\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea aprende, e traz para o mundo acad\u00eamico realidades n\u00e3o trabalhadas profissionalmente, a partir da simples observa\u00e7\u00e3o de conversas, por exemplo. Isso tudo enriquece a \u00e1rea acad\u00eamica. Se voc\u00ea se fecha em uma torre de marfim, perde o contato com a realidade. Deriva da\u00ed meu interesse pela empiria. Empiria \u00e9 voc\u00ea, de alguma forma, entrar em contato com a realidade. Continuamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vem da\u00ed tamb\u00e9m sua escolha por temas considerados pouco ortodoxos no mundo acad\u00eamico? O que est\u00e1 pesquisando agora?<\/strong><br>H\u00e1 tr\u00eas anos estou envolvido em um projeto denominado \u201cMigalhas de amor\u201d. A sociologia brasileira cuidadosamente evitou tratar de emo\u00e7\u00f5es. Fora da sala de aula, a gente fala de amor o tempo inteiro. O ser humano vivencia o amor. Por que n\u00e3o estuda o amor? Quantas pessoas estudam o amor no Brasil? Parti das revistas de ci\u00eancias humanas indexadas na Scielo e, depois de utilizar seus mecanismos de busca, descobri que menos de 1% dos artigos menciona a palavra amor. Tamb\u00e9m n\u00e3o estudamos felicidade no Brasil. N\u00e3o estudamos as emo\u00e7\u00f5es nas ci\u00eancias sociais. \u00c9 um contraste, por exemplo, com a Holanda, onde h\u00e1 um centro dedicado a pesquisar esse tema. Eu vejo o amor como algo extremamente poderoso e comecei a fazer uma an\u00e1lise da literatura acad\u00eamica; onde h\u00e1 dados secund\u00e1rios, eu pego.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que quer entender com essa pesquisa?<\/strong><br>Por exemplo, qual efeito do amor nas rela\u00e7\u00f5es sociais? Sabe-se hoje que os filhos que t\u00eam ambos os pais em casa s\u00e3o menos afetados por problemas envolvendo notas baixas, \u00e1lcool, cigarro e drogas. O que aparece na literatura cient\u00edfica vai al\u00e9m: os pais que leem com os filhos, dedicam tempo aos filhos, elogiam quando h\u00e1 \u00eaxito e podem ser disciplinares, produzem filhos com menos riscos. A presen\u00e7a f\u00edsica e a express\u00e3o de afeto s\u00e3o important\u00edssimas. Reduzem muito, por exemplo, o risco de suic\u00eddio. Fora da fam\u00edlia, express\u00f5es de amor tamb\u00e9m s\u00e3o relevantes. Velhinhos que n\u00e3o tiveram filhos e, portanto, n\u00e3o podem ter netos, mas ajudam outras pessoas, vivem mais, indicam estudos. A solid\u00e3o, tema que cresce na an\u00e1lise da bibliografia produzida nos \u00faltimos 200 anos, \u00e9 a grande assassina na terceira e quarta idades. Tamb\u00e9m s\u00e3o mortes evit\u00e1veis \u00e0 espera de pol\u00edticas p\u00fablicas inteligentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/glaucio-ary-dillon-soares-o-sociologo-apaixonado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica da UENF se solidariza com a fam\u00edlia do querido professor Gl\u00e1ucio Ary Dillon Soares e com toda a comunidade da\u00a0ALACIP. Sua paix\u00e3o pelo rigor acad\u00eamico foi, \u00e9 e ser\u00e1 uma inspira\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s! Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica (UENF) Reproduzimos uma entrevista que lhe fizera Glenda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":88890,"featured_media":40913,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":{"0":"post-40912","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-informativo","8":"entry"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/88890"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=40912"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40912\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40933,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40912\/revisions\/40933"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/40913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=40912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=40912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alacip.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=40912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}